
Às vezes gosto de dar uma de pseudo-intelectual e analisar certas coisas. Hoje por exemplo vou falar um pouco de vergonha, todos tem vergonha, eu tenho pouca vergonha, não necessariamente sou um sem-vergonha, mas quase chega lá. Eu não tenho a mínima vergonha de contar que quando eu ia no “bar” da minha avó paterna eu não sabia que o “bar” era um bordel, isso mesmo minha vó era dona de bordel, tudo bem que eu ia só na parte de manha, eu era pequeno e ela me dava um “guaranazinho” de maçã, e doces, sim alguns bordeis servem refrigerante e doces, ou minha vó os comprava para mim, sei lá. As “amigas” da minha vó tinham nomes estranhos, me lembro da Estrela e da Brahma. Eram todas simpáticas comigo, no horário que eu ia não havia homens a não ser eu. Depois vovó fechou o “bar” e se aposentou, anos mais tarde descobri sem querer que aquilo era um bordel, aí veio à vergonha, não vergonha de saber que minha vó foi uma cafetina, mas é que sou muito curioso, e até hoje me pergunto se vovó rodou bolsinha antes de comprar o estabelecimento. Imagina a cena, enquanto minha doce e amada vovozinha de cabelos brancos me serve café com pão de queijo eu paro e pergunto, vovó a senhora era profissional do sexo? Viu? Não tem como matar a minha curiosidade por conta da minha vergonha. Poderia fazer algo assim meio que casual enquanto ela vê a novela das oito, tipo chego e falo como quem não quer nada, quanto é a completa? Ela da um ponto no crochê e solta sem pensar: 3000 mil cruzeiros. Pronto aí descubro e acaba minha agonia. Essa coisa do sexo pago é meio estranha pra mim, 1º o homem que falar que foi num bordel, mas só pra tomar cerveja estará mentindo, acredite, ninguém vai a bordeis tomar cerveja, a cerveja é o dobro do preço usual. 2º tenho saudosismo pelo sexo pago de antigamente, a modernidade acabou com tudo. Hoje as prostitutas têm até web site, só a ralé vai nos bordeis. Não sei se vocês lembram da minissérie Hilda Furacão, mas aconteceu mesmo e o lugar que ela trabalhava ainda existe na rua Guaicurus, ta todo decrepitado como as trabalhadoras do recinto, na verdade deveriam mudar o nome para rua Guaicuruzcredo, se você ler alguma placa do tipo: Hilda Furacão esteve aqui, certamente vai ficar em duvida se foi à própria mocinha ou algo do tipo Katrina. Num dos prédios chegou a ter uma promoção há alguns anos, lembram quando o 1,99 virou febre? Então, lá também... Dia de segunda feira era 1,99. Que lixo, as portas ficam abertas em enormes corredores, dentro as “trabalhadoras” na cama, você passa pela porta e quando gostar de alguma entra e fecha a porta. Agora não existe mais puta, é garota de programa, tem até anuncio no jornal, a maioria é estudante universitária, mas acho que algumas migraram dos bordeis decrépitos pras paginas amarelas, uma vez vi um anuncio que dizia: três por 60 reais, por esse preço imaginei que tipo de pessoas elas seriam, provavelmente horríveis, aí fiquei pensando do porque das três, é lógico, uma vai por cima, a outra segura os seios caídos da 1ª para que estes não sufoquem o cliente, e a 3ª tapa os olhos do coitado para ele não se assustar muito. Se minha vó estivesse no ramo ainda provavelmente ela seria universitária. Porque toda garota de programa é universitária? Saudades de quando o mundo era mais simples, puta era puta, bordel era bordel, e eu tomava “guaranazim” de maça. Perdendo a vergonha agora...Respirando fundo e perguntando...- Vovó a senhora rodava bolsinha? Ok ok, minha vó não vai ler isso mesmo, ela é analfabeta.
P.S meu outro eu, quem tiver afim pode clicar aí na imagem abaixo

Postado por:
Ricardo
às
23h36
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