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"Sou Libriano, porém minha balança nunca
foi de precisão.
Sempre desregulada, pendendo pra algum lado,
e sempre o lado errado. Acho que por isso me
tornei um completo cretino. Mineiro até as entranhas,
insano dos pés à cabeça, encoleirado por opção e apaixonado pelas coisas
toscas e loucas da vida..."

 
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Presentes que dei pra minha mãe, bom dia das mães é uma data tão comercial que me lembro mais dos presentes que dei, do que do dia em si, uma vez dei um conjunto de panelas pra ela, ela me olhou com tanta raiva e soltou: “você quer me ver cozinhar é?” Eu saio meio no caim caim. Desde então pergunto o que ela quer, invariavelmente ela leva o tudo o que quer, já me levou um computador, uma cam, enfim minha mãe é meio moderna, moderna e doida. A ultima vez que ela veio aqui foi em fevereiro, pra se aposentar, então lá vai eu o filho caridoso acompanhar, odeio a Secretaria de Ensino (sim minha coitada mãe é funcionaria pública) tem um ano que esta de licença, o medico da cidade dela já nem pergunta o que ela tem, ela chega lá e ele vai dando a licença, perguntei certa vez como ela conseguia tantas licenças, ela me contou da ultima vez., o medico perguntou: -Dona Helena , qual o motivo pelo qual a senhora está preterindo este afastamento? Ela na maior cara de pau responde: “não to querendo trabalhar, tenho muita roupa pra lavar, to cansada, quero é aposentar” o medico assinou sem nada falar, colocou um numero de uma doença qualquer, porque ainda não existe cara de pau no código medico. Chegando aqui em Belo Horizonte é outra historia, os médicos não a conhecem, primeiro não se pode acompanhar ninguém na perícia medica, mas minha mãe não gosta de ir sozinha, e eu tenho duas escolhas quando isso acontece, ou entro na cara de pau me passando por funcionário publico, ou fico na sala de espera por horas. Então entramos sem maiores complicações, chega o guardinha no consultório 6, você é paciente ou acompanhante?, eu respondo: “sou paciente porque?” (detalhe, ainda faço cara de indignado pela pergunta) o guardinha faz uma cara de “ ô me desculpe”, isso até minha doce mãe que se mete em tudo falar, ele é meu filho, mas ta me acompanhando, e lá.
Lá vou eu falar com o diretor, faço cara de coitado e explico que só estou ali porque minha mãe esta passando muito mal (mentira claro, mamãe ensinou direitinho) o diretor olha pra mim com comiseração e me deixa ficar. Eis que começa a primeira consulta, depois de uma hora de espera (nunca vi povo tão doente como os funcionários públicos, principalmente os professores, depressão então nem se fala, eu não sei como ta a taxa de suicídio por profissões, mas pelo que vi os professores devem estar pulando de pontes aos montes) . Minha mãe entra, eu colo na parede porque amo escuta-la em ação, mamãe me da tanto orgulho, a 1ª é uma medica, minha mãe quase não deixou ela falar, a medica não gostou muito dela e assinou contra a aposentadoria antecipada (minha mãe falou umas poucas e boas para ela e saímos pro segundo perito. Consultório nº 4, a medica não estava, então já pulamos pro 8 que seria o ultimo, ele também não tinha chegado e quando finalmente entra, eu vejo que não devia ter mais que 30 anos de idade, na sala só tinha eu e uma professora descadeirada que reclamava de dores nas costas, inicia-se o debate, minha mãe expõem os motivos pra aposentadoria, o medico começa a falar como se minha mãe fosse um bebê de colo, minha mãe altera a voz, entra mais 3 pessoas na sala, o medico fala que ela ainda vai ter que trabalhar 2 anos no mínimo, minha mãe se altera ainda mais e fala que o estado a lesou, o medico diz que ela escolheu o estado e não o estado a escolheu, minha mãe Fala que pode ate ser, mas que o estado a lesou e que se ela continuar trabalhando vai acabar matando alguém, vira pro medico e pergunta se ele está satisfeito com o emprego dele, aí ele já vai baixando a bola e diz que sim, ela solta” isso é porque você é novo e não é professor, não ganha o salário de fome que eu ganho” o medico argumenta mais uma vez que ela que escolheu o estado, minha mãe pergunta: “ vem cá por acaso você é parente do Aécio? Porque nunca vi nenhum funcionário do estado defender tanto o estado” eu começo a rir, já tem umas 6 pessoas comigo na salinha de espera do consultório, não sabendo elas que eu sou filho da louca que grita começam a falar que ela era doida, eu olho e sorrio todo feliz dizendo que ela era minha mãe, as cretinas calam a boca(eu tenho orgulho das loucuras de mamãe) o medico imagino eu, a essa altura deve estar de queixo caído, porque ele fala mais mansamente, e se demorasse mais um pouco começaria a falar sim senhora, não senhora, etc e taus, ele cai na desgraça de falar mais uma vez no maldito estado, minha mãe fala” eu quero é que o estado vá pro inferno, governos atrás de governos me lesando, eu quero minha aposentadoria e ponto” o medico em via dos fatos lhe da mais 2 meses de licença remunerada, minha mãe sai semi-vitoriosa e o medico de topete quebrado, agora vão rever o caso dela dia 24 desse mês, acredito que ela sai de lá aposentada. O que dar pra minha mãe? Realmente eu não sei, mas faço coro com ela, que o estado vá pro inferno. Da-lhe mamãe anarquista em causa própria, coitado do estado dia 24.



Postado por: Ricardo às 23h03

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