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Festa é uma coisa estranha, festa de família mais ainda, se vê de tudo, todas as vertentes da natureza humana. A começar pelos presentes, conheço varias historias de pão-durismo , eu particurlamente procuro comer e beber o valor do presente que dei, e como não costumo dar presente barato, saio com o botão e às vezes o zíper aberto das benditas festas. Meu primo recém casado não teve duvida quando a irmã foi se casar, pegou uma batedeira que tinha ganhado no próprio casamento embrulhou e deu na maior cara de pau. Minha avó é pior, alias isso vem de geração pra geração, ela se chega para o dono ou dona da festa e começa o discurso: “sabe fulana o Marcim não pode vir, será que você arrumava um pratim de bolo pra ele?” O Marcim em questão nem gosta de bolo, e lá se vai minha vó com uns cinco “pratins”, porque quando a benfeitora da festa está que corta bolo e coloca guardanapo, lá está minha vó a se lembrar que a empregada também não pode ir, que o filho do vizinho adora bolo, etc e taus, no fim quem come é ela mesmo, ainda aproveita os salgadinhos e fica uns quatro dias sem precisar gastar com café da manha. Lembro até hoje do aniversario de 1 ano dos primeiros gêmeos da família, quase acabou em tragédia, a anta do meu tio comprou um daqueles balões gigantes, onde se coloca pequenos brinquedos, prende em algum lugar alto e estoura, embaixo as crianças se ajoelham fazendo a festa cada um tentando pegar os prêmios, só que a mula do meu tio colocou duas notas de 50 reais junto, e a noticia se espalhou, na hora do estouro, eu juro, tinha mais adultos que crianças embaixo do maledito balão. Conselho: não jogue dinheiro em festas com parentes mortos de fome e pão duros, certamente vai acabar em homicídio. Então estoura o balão pum pam pum, não, não foi o efeito sonoro do estouro, isso foi o efeito sonoro dos pisões que as pobres crianças iam levando, não me sai da cabeça à cena de vários tios, tias, primas se degladiando pra conseguir pegar as notas, minha tia-avó gritando com o filho: “- Pedrinho, vai lá, pega, anda Pedrinho, vai lá filho você é alto, quando estourar você só pula” o Pedrinho em questão só tinha uns 38 anos. Mas enfim uma das notas caiu bem pertinho do coitado do Gustavo, meu primo de uns nove anos, mirrado e raquítico, barrigudinho, quase um somalês, coitado, 3 se jogaram com fúria em cima dele, realmente não imagino como ele conseguiu sair com vida dessa. Tenho um primo que é o pior de todos, ele espera alguém com um embrulho bem grande chegar, cola na pessoa e vai junto dar os parabéns, no fim o aniversariante não sabe de quem ganhou o presente, da pessoa ou do parasita sorridente ao lado. Em todas as festas o pior é depois que o bolo foi cortado, até ali ta todo mundo comportado, depois...Ixe, já vi todas as fases das musicas “dançantes” brasileiras e estrangeiras, interpretadas por tias pelancudas, Vovó desceu na boquinha da garrafa, meu tio quase não devolveu a garrafa de tão bêbado, e a macarena, ai credo, tenho pesadelos até hoje, visualizem uma tropa de elefoas colocando as mãos em volta da cintura, dando tapas nas celulites da bunda e depois fazendo um terremoto de escala 6.0 ao pularem ao mesmo tempo pra esquerda, pra direita, e por aí vai. Eu era pequeno na época da lambada (graças a Deus), mas não fui perdoado na ragatanga. Vocês imaginam minha louca família em grande parte bêbada, constituída de tias esclerosadas e fora de forma, suando nos vestidinhos de viscose com marmanjos com a barriga pra fora do cinto, com manguaça até na tampa, pingando, suando que nem porcos, dançando e cantando aquilo? Bom eu quero esquecer.
Postado por:
Ricardo
às
02h46
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* Leia Conversa no Elevador *
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