
Sou desastrado. Na verdade sou o desastre em forma de gente. Quando ia visitar parentes na minha infância não entendia muito bem porque começavam a colocar as coisas quebráveis em cima da estante ou lugar que eu não pudesse alcançar. Mas não era minha culpa, eu cresci rápido demais, com 14 anos já tinha 1,75 e meu pé, bom a culpa do meu desastre é meu pé, calço 43 desde os 15 anos. Dizem que os pés que dão o equilíbrio, não pra mim, sou totalmente desequilibrado, inclusive mentalmente. Mas, contudo sou bonzinho, quando estávamos na fazenda ano passado e minha mãe deu um jeito nas costas eu arrumei uma solução infalível pra concertar, sempre tenho soluções infalíveis pra todo o problema, eis meu belo plano: - “mãe monta no cavalo, ele vai andando e a sua coluna vai voltar pro lugar”. Então lá vai mamãe, já foi um custo colocar ela em cima do maldito cavalo. Quando comecei a puxar pelas rédeas ela gritava: “desgraçadooooooo, filho da putaaaaaa, para esse cavaloooooooo, mamaeeeeee, o Ricardo ta me matandooooooo”, sim ela chamou pela minha amada avozinha, que colocava a mão na cabeça e gritava: “para Ricardo, para Ricardo”, normalmente eu ignoro frases que tenha a palavra pare, não faça isso e derivados. Então foi isso como a coluna não voltava pro lugar resolvi fazer o cavalo correr e tornar o método mais eficaz. Ele cavalgava e minha mãe berrava. Sei que não deu certo por dois motivos, primeiro que minha mãe teve que literalmente ser carregada pra casa da fazenda, isso sob os olhares reprovatórios de parentes que obviamente não perceberam que eu só estava ajudando, segundo que quando ela foi usar o banheiro ficou presa literalmente no vaso sanitário, ela sentou e não conseguia mais levantar, aí grita dali, grita daqui, em minutos estão olhando a coitada da minha mãe sendo guinchada do vaso pelas minhas tias, primas e toda sorte de mulher solidária. Minha mãe ficou uma semana andando como o Quasimodo, e praguejando contra minha pobre e samaritana pessoa. Tudo bem, não sou só um desastre com os outros, sou um desastre comigo mesmo. Estava eu lá no videokê , cantando como se fosse o próprio Renato Russo, todo empolgado que até me atrevi a dar uns passinhos no palco, isso não foi bom, a musica acabou o fio do microfone estava enrolado na minha perna, eu claro não notei este pequeno detalhe, e como uma saracura em fuga pulei do palco, o videokê veio junto comigo, o microfone soltou , fez um barulho tenebroso de microfonia, e eu fui de cara no chão. Levantei como se nada estivesse acontecido e me escondi atrás do cardápio o resto da noite. Agora ser desastrado é uma coisa, ser lerdo é outra, às vezes não presto muita atenção, estava eu empolgado contando piada pra um amigo meu que sentava literalmente de rir (adoro contar piadas, em enterro então, nossa! Local preferido) eis que começo a contar uma piada de engraçadissima de vesgo, a piada acaba e ele não esboça um sorriso. Fico pensando. Será que ele não entendeu? Será que estou perdendo o jeito? Não essas coisas não acontecem comigo, olhei ele nos olhos tentando entender porque ele não riu. Porque na minha opinião se você é amigo de alguém, você ri mesmo não tendo graça. Olhei e vi. Ele era vesgooooo, drogaaaa, eu tinha esquecido desse ínfimo detalhe, tentei concertar: “desculpa esqueci que você era vesgo (olhar enraivecido da parte dele) ops estrábico (piorando: olhar assassino), mas sabe que quase nem dá pra perceber??? ( olhar de: vai pra pqp , seu cretino de uma figa) você operou foi? Quase nem da pra notar mesmo... ( olhar de: eu comento um cretinicidio hoje, ah eu cometo) . bom não deu pra concertar, só piorei. Ainda acho que a culpa é dos meus pés.
Postado por:
Ricardo
às
02h10
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* Leia Conversa no Elevador *
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