
Parente também é serpente?
Ai minha mãe minha mãe, ai minha mãe minha mãe, minha mãe minha mãe minha mãe, se separou do meu pai. Bom, minha mãe foi a primeira a se divorciar na minha família e foi um escândalo. Eu e minha irmã éramos apontados como “os filhos da desquitada”, mas quer saber? Eu nunca liguei para isso! Primeiro que ganhei uma bicicleta dos meus pais cheios de remorsos, e segundo, que a minha mãe é da “pá virada”, e eu também era. Tinha um tio que parou de falar com minha mãe para falar dela com os parentes, vizinhos, e nem sei porque não anunciou na rádio local. Talvez pelo seu pão-durismo exacerbado. Não gostava muito desse meu tio, que aqui vou chamar de Celso, mesmo porque esse é o nome dele. Quando descobri a audácia de “titio fuxico”, que contava aos sete ventos os mais novos capítulos da história da “minha esclerosada mãe separada”, não fiquei muito contente. Pois bem, um certo dia vendo no quintal do meu tio um pé de mexerica pocan carregado de cair no chão, eu gulosamente pedi umas. O cara de pau com desdém falou que estavam verdes. Que eu saiba não sou daltônico, e de verde, lá nada tinha. Meu querido e amado tio cachorro viajou no final de semana. Coitado, não sabia o que eu, o pestinha meliante, estava por fazer. Maquiavelicamente eu bolei um plano: entrando no quintal dele pelo muro do vizinho, pus minha irmã e meu amigo para trabalhar. Nós passamos a tarde inteira apanhando mexericas, e não sobrou nada naquele já não mais abarrotado e frondoso pé, a não ser uma única, bem no último galho, que deixei num incrível gesto de bondade para com meu familiar fofoqueiro. Não satisfeito, comecei a chupar e a chupar, completamente empanzinado. Comecei a esmagar as mexericas, peguei o bagaço de tudo, as cascas e deixei de presente na porta da casa dele. Agora, imagina a cara do meu tio quando chegou e viu uma única e suculenta mexerica bem lá no alto do pé? Enfurecido, ele já imaginava quem foi o autor da delinqüência juvenil e foi direto falar com mamãe. Porém, não sabia titio que mamãe podia estar desquitada, mas não perdeu o juízo. Aliás, estava desquitada mas nunca teve juízo. Ele bateu furiosamente à porta de nossa casa, e antes que pudesse continuar seu singelo discurso sobre o maldoso ato, foi interrompido por minha amada e meiga mamãezinha, escutando em alto e bom som(na verdade, meio que gritado): “ah pelo amor de Deus, eu tenho mais o que fazer! Vai caçar um serviço, eu tenho um tanque de roupa para lavar!” E lá se foi titio com o rabo entre as pernas... dá-lhe mamãe! Moral da história: nunca fale mal da mãe de um cretino, e digo mais: nunca bata na porta de uma mãe barraqueira, pois você pode sair de lá totalmente humilhado ou com os tímpanos furados.
Ricardo
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Ricardo
às
06h53
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* Leia Conversa no Elevador *
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