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Uma das propagandas que mais me marcou foi a da sukita, eu sempre achei aquela garota uma cretina de primeira linha, tinha tanta pena do Tio. Ele unicamente tava afim da garota, e ela o esnobava de uma forma tão vil, tão desumana, enfim achei essa imagem e ri muito, adorei a vingança do Tio
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Ricardo
às
16h55
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Estava pensando em algo sobre o natal pra escrever. Papai Noel, presentes... acho o natal tão comercial, então resolvi falar do espírito de natal. Sempre tive medo de ter alguma doença incurável. Uma vez teve um surto de hepatite e eu me vi amarelo por uma semana, checava minha pele de cinco em cinco minutos. Enfim sou sugestionável com doenças, ou melhor dizendo, hipocondríaco. Exatamente na antivéspera do natal passado, estava eu tomando um banho, e ao lavar meu traseiro me deparo com algo terrível... é difícil dizer isso sabendo que pessoas vão ler, mas eu estava com um nódulo na entrada do anus. O chão se abriu... me vi padecendo de um câncer de próstata agressivo, onde eu definhava na cama esperando minha eminente morte, no auge dos meus 24 anos. A perspectiva ia ficando cada vez mais sombria à medida que o tempo me passava, já imaginava até meu enterro. A noite chegou e fui contar pro meu amigo meu triste fim. Ele tentou de tudo pra me acalmar, mas se tem uma coisa pior que um hipocondríaco, é um hipocondríaco com idéias. Enquanto eu falava da minha idéia meu amigo ia ficando em pânico. Era basicamente assim: eu pedi, implorei, chorei e finalmente com muito custo consegui que ele fosse no banheiro ver se tinha o tal nódulo também. Ele se dirigiu ao banheiro como quem se dirige pra câmara da morte, seu olhar era de "aiiiiiii Jesus, o que que eu tô fazendo?" Passados alguns minutos ele volta resmungando, dizendo que tinha o tal nódulo também, mas que infelizmente era mais fundo que o meu. Eu fiquei tão alegre, depois que meu medo acabou eu fiquei cretino, ri muito imaginando meu sério e sistemático amigo fazendo aquilo por mim. Sabe, eu nunca mais vou esquecer esse gesto de amizade, acho que esse foi o exemplo maior de espírito natalino que já vi. Perguntei sobre o ocorrido, meu grande amigo pelo menos teve o bom senso de lubrificar a entrada do seu não mais intocável canal retal. Não foi fácil pra ele descer daquele pedestal homofóbico que ele sempre manteve, e o admiro muito e não sei como esse fato repercutiu na vida dele. Imagino que a primeira dedada a gente nunca esquece, só imagino porque ele não gosta de falar muito deste assunto. Na verdade quando toco nesta linda lembrança de amizade ele faz uma cara de assassino psicótico. Procuro sempre me lembrar deste dia, e digo mais, quando não tenho mais nada com que me divertir procuro lembrá-lo deste dia. Esse é o verdadeiro espírito natalino e de amizade. Não é qualquer um que invade seu próprio reto por causa da paranóia de um amigo cretino e hipocondríaco. Um feliz natal pra todos e em especial pra ele, meu admirável amigo... que ele leia este conto e lembre de como sua fraternidade servira de exemplo. Como diz o ditado: "muita saúde e paz, dinheiro a gente corre atrás"... amizade às vezes a gente encontra até nos lugares mais improváveis possíveis, literalmente...
Ricardo
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Ricardo
às
15h11
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A vida é cretina até na morte
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A vida é tão cretina que chega a ser mais cretina na morte. Minha avó é parecida com aquelas carpideiras, ela vai no enterro de todo mundo, e muitas vezes até chora. Não sei se ela chega a sentir comiseração pelo defunto, ou se aquilo virou hobbie, mas de uma coisa eu sei: minha avó sempre acaba pagando mico em velórios. Lembro uma vez de um suicida, esse realmente queria morrer, tentou cinco vezes no mesmo dia, e pra seu azar em quatro o “salvaram”. Não sei se posso chamar isso de salvação, pois se ele queria com tanta gana morrer, estavam é atrapalhando. Enfim, na quinta tentativa ele conseguiu. Minha avozinha me chamou pra ir ao velório, detesto velório, mas fui acompanhando. No meio do caminho começa a chover muito e molhamos os sapatos. Infelizmente a sala estava abarrotada e tudo fechado por causa da chuva. Era muita gente, mas minha avó como sempre arrumou o melhor lugar com vista privilegiada para o morto e tudo. Pra nosso azar e finalmente “sorte” do morto, ele tinha conseguido morrer na hora, se jogando debaixo de um caminhão. Azar nosso digo porque quem nunca esteve numa sala fechada, cheia de gente com um cara que morreu da forma que ele morreu, não sabe o odor que exala. Enfim no meio daquela zorra minha avó me chama: - “Ricardo...Você está sentindo um cheiro estranho?” Eu meio sem graça respondo baixinho: “ - Claro vó, é o morto!!! Pra minha total surpresa e desgraça, minha avó responde suspirando de alivio: “- Graças a Deus, pensei que fossem meus pés!!!" Desgraça eu digo porque tive uma crise de riso ( incontrolável) , e não foi fácil conseguir sair do velório, rindo aos olhares de parentes e carpideiras furiosas com minha falta de consideração pelo falecido. Acho que nem cheguei a ser cretino este dia, o que foi vetor da minha cretinagem foi a maldita chuva que molhou os sapatos da minha adorável vovozinha e a deixou preocupada com o possível odor que exalava dos seus molhados pés. Moral da historia: se você tem uma avó que nem a minha é melhor nunca ir num velório com ela. Esse foi só um dos micos que presenciei, depois eu conto outros...
Ricardo
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Ricardo
às
14h44
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Era um homem e uma maleta, seus trajes de classe média, essa chata e detestável classe média,
como detestável as classes ricas e melhores as classes pobres, aqueles sorrisos bêbados, aquelas
roupas puídas, mas ao parece ter sempre o que não temos, um certo que de felicidade.
Pobre não tem depressão, pobre tem provação e mesmo assim consegue tirar sorrisos da vida.
Que nós classe média não entendemos, nem tão pouco queremos compreender.
Quando passamos por aquelas crianças sujas descalças, são todos nulos rostos rotos na multidão,
são rotos para nós, malditos classe média, tentando chegar no topo e maldita gente que está no topo,
são todos uns escrotos, e o homem vai com sua maleta, sua maleta para um descampado.
Ao longe ele vê um menino descalço soltando pipa, e lembra da sua infância toda passada em frente à tv, uma infância que ele não teve você, não teve ninguém, só seus sonhos de criança, onde ele ainda tinha a esperança, mas agora ele é o homem da maleta.
Vinte poucos anos e uma maleta, ele se senta no chão.
Não se importa mais em sujar sua roupa, não importa, pois sua roupa não é mais nada além pra tapar o
seu pudor.
Não existe mais nada pra ele a não ser a dor, ele perdeu tudo inclusive a esperança, então ele abre
a maleta.
Um revólver, uma arma, ele olha a criança mais uma vez ao longe, tão feliz a empinar
sua pipa, ele chora, lágrimas de uma juventude perdida, os pássaros se assustam, um estampido no ar.
Um homem no chão, uma vida que se foi, uma arma na mão...
Ricardo
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Ricardo
às
11h43
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